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O ensino a distância na prática

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No e-Learning, o professor tem um papel parecido com o do roteirista e do diretor de cinema. Se ele tem uma boa história (o conteúdo a ser ensinado), com algumas técnicas pode construir um bom filme ou um bom curso.

Por Ricardo Carvalho (*)

Partindo do princípio de que o professor possui o conteúdo, antes de aplicá-lo em qualquer mídia eletrônica, é necessário conhecer alguns pontos importantes, entre eles o storyboard ou roteiro para cursos de educação a distância.

Para explicar melhor, podemos fazer uma analogia com o cinema: o professor assume o papel de roteirista e diretor do filme, tendo a responsabilidade de criar ou recriar um novo formato digital com base em uma versão presencial ou até mesmo literária que seja tão eficiente quanto a anterior.

Muitas vezes gostamos de um livro, mas não da sua versão em filme ou vice-versa; ou seja, o resultado será condicional, mas não imprevisível. Com alguns parâmetros potencializamos o sucesso.

Nosso objetivo será “estrelar” nosso “filme” com sucesso e eficiência no aprendizado. Para isso, teremos recursos tecnológicos dos quais muitas vezes não dispomos em sala de aula. Por outro lado, vale lembrar que filmes repletos de efeitos especiais não garantem o sucesso ou a eficiência em nosso caso.

Podemos condicionar o resultado a uma característica natural do professor, a didática. Na ausência física, esse fator deverá ser agregado às linhas do storyboard.

Estratégias didáticas auxiliam no processo de criação do storyboard para cursos on-line e concentram técnicas e teorias do pedagogo, visando facilitar o aprendizado.

Didática é a arte de transmitir conhecimentos, técnica de ensinar e utilizar a ciência para tornar o aprendizado mais eficiente. Podemos situá-la entre as teorias educacionais e a prática pedagógica. Utilizando-a para envolver o aluno, teremos uma aprendizagem ainda mais significativa.

Esse envolvimento acontecerá quando o professor criar condições para que o aluno aprenda e compartilhe o conhecimento por meio de estratégias e estímulos:

  • discutir abertamente, sempre respeitando opiniões;
  • conhecer as expectativas e necessidades do aluno;
  • orientar a instrução por meio de feedback, agente intrínseco no e-Learning;
  • integrar de forma interdisciplinar e contextual todo o conteúdo apresentado;
  • promover a construção colaborativa do conhecimento e sempre valorizar as relações aluno-aluno, professor-aluno e vice-versa.

Assim estabeleceremos um bom relacionamento com os alunos. Um canal para que todos se sintam à vontade para se expressar, compartilhar e colaborar para aprender.

Informar aos alunos os métodos aplicados e os objetivos auxilia no que esperamos deles. Esclarecem os critérios de avaliação, incentivam e induzem à exploração do “conhecimento sem fronteiras geográficas”.

Todo bom projeto ou aula possui um planejamento equivalente, por isso a necessidade do plano de ensino. Podemos descrever individualmente todos os componentes dessa etapa, prática comum ao corpo docente, mas este é outro assunto.

No e-Learning são utilizadas algumas teorias instrucionais de forma mista, aproveitando suas potencialidades.

Do Behaviorismo temos a “lei do efeito”, em que todo e qualquer ato que produz satisfação tem tendência a repetir-se com mais frequência. No curso on-line, um exemplo seria o exercício de fixação (sem pontuação), mas com um papel importante quando utiliza o feedback para felicitar um acerto.

Vale a “lei do exercício”, isto é, simplesmente praticar para compreender. No entanto, tarefas muito repetitivas tendem a afastar alunos on-line. Na “teoria da causa e efeito” sempre há uma resposta imediata, seja positiva ou negativa. Sua aplicação serviria no exemplo do feedback citado. Segundo Watson (behaviorista), o ensino pode ocorrer por tentativa, por imitação, por educação e por métodos de ensaio e erro.

Cognitivismo é o conhecimento fixado pelo indivíduo. Depende de estruturas e funções simbólicas. Um exemplo prático é a dramaturgia em sala de aula e, na web, animações ou pequenas cenas situacionais, utilizadas em geral na abertura ou introdução de temas em um curso on-line.

Construtivismo parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio. Empenhada na complexidade desse desenvolvimento, apresenta conteúdo por meio de situações reais em sua evolução gradativa, por etapas.

Segundo Gagné, especialista na aplicação eficaz do Construtivismo nos cursos de educação a distância, a aprendizagem possui oito tipos ou etapas:

  • motivação;
  • apreensão;
  • aquisição;
  • retenção;
  • memorização;
  • generalização;
  • desempenho; e
  • feedback.

Os interessados devem anotar este nome: Robert Gagné.

Atividades extra como filmes, aulas expositivas on-line, estudo de casos, jogos e atividades em grupo, sejam via chat, Skype ou fórum, costumam apresentar bons resultados.

Enfim, para criar esse roteiro, aí vão mais alguns passos importantes:

  • Levantar as necessidades;
  • Definir escopo;
  • Identificar público-alvo;
  • Definir objetivos;
  • Definir conteúdo;
  • Criar storyboard;
  • Definir atividades;
  • Definir mídia;
  • Desenvolver;
  • Implementar; e
  • Avaliar.

O responsável pela criação do storyboard nas empresas de e-Learning é o designer instrucional, uma das partes essenciais para o desenvolvimento de um bom curso.

 

(*) Ricardo Carvalho (r.carvalho@uol.com.br) é designer, coordenador de desenvolvimento web da MicroPower, professor e especialista em ensino a distância.

 

A coluna “Desenvolvendo Talentos” da Revista Eletrônica é coordenada por Augusto Gaspar, Diretor da unidade de Professional Services da MicroPower. Comentários e contribuições podem ser enviados para augusto.gaspar@micropower.com.br      Twitter: augustofgaspar

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Fonte: Ricardo Carvalho
Autor: 
 Data: 17/07/2009

 

 


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