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X, Y, Z. Qual é a sua tribo?

Os “ipisilones” nasceram a partir da década de 1980 e são uma geração formada por filhos dos Baby Boomers. Confira quem são e o que querem estes jovens com menos de 30 anos, acostumados a não reverenciar hierarquias e ligados à alta tecnologia

Ambicioso, criativo, impaciente. Você, que tem menos de 30 anos, já foi identificado assim? As pessoas com mais de 50 anos, de vez em quando, gostam de falar de uma tal geração que nasceu no meio de brinquedos eletrônicos e cresceu dentro de apartamentos, sob a proteção de pais preocupados. Hoje, esses jovens estão tomando conta do mercado de trabalho e mostrando que existe uma maneira de pensar bem diferente daquela das gerações anteriores. A Geração Y também tem outras denominações, como geração internet ou filhos do milênio, mas independentemente do nome, ela é formada por filhos dos Baby Boomers – pessoas que nasceram entre 1946 e 1964.

Antes de se revoltar contra a denominação e esbravejar que não gosta de ser rotulado, saiba que são estudos e pesquisas, muitos deles desenvolvidos ou originados nos Estados Unidos e ligados a diferentes momentos que aquele país tem atravessado, que ajudam a definir grupos de pessoas e gerações. Um dos objetivos dessas pesquisas é facilitar a compreensão do que vai mudando com o passar do tempo, como o comportamento dos indivíduos em relação ao trabalho e a suas relações sociais. E mostrar também fatos que ajudaram a marcar época e mudaram os valores e o jeito de uma sociedade pensar.

Esses estudos são importantes porque expõem como os fatos formam a ideia que essas pessoas têm sobre instituições, dinheiro, família e carreira – conjunto que molda as características de uma geração. É assim que se tenta prever o que vem adiante e como isso poderá ser administrado. Como muitos traços desses estudos são comuns, podem ser aplicados à realidade de outros lugares, como o Brasil. A Geração Y é formada por pessoas que nasceram entre 1978 e 1995, que têm hoje entre 14 e 31 anos. No Brasil, alguns estudiosos consideram desta geração as pessoas nascidas entre 1981 e 1995, que teriam hoje entre 14 e 28 anos, já que as mudanças que ocorriam em outros pontos do planeta chegavam ao Brasil com um pouco de atraso.

“A Geração Y é aquela que, enquanto conversa, responde a mensagens no MSN ou SMS, fala ao celular, navega numa rede social, assiste à televisão, ainda arruma tempo para brincar com animais domésticos e ter uma vida off-line”, define Henrique Puccini, que é jornalista, está se formando em economia e é gerente de conteúdo de uma empresa de Joinville. Aos 27 anos, ele é um perfeito exemplar da Geração Y. “Essa nova geração gosta de ter atenção e direciona o foco de suas atividades quase sempre no curto prazo, buscando uma constante mudança. Não aceita bem regras pré-estabelecidas e considera natural trocar muitas vezes de trabalho, principalmente na busca por qualidade de vida, o que hoje se reflete em desafios”, destaca.

Outra joinvilense que é apaixonada por muitas coisas ao mesmo tempo e, se puder fazer tudo simultaneamente, melhor ainda, é a engenheira Crisda Amancio Ghiorzi, 28 anos. Quando era criança, foi estimulada a praticar piano, teclado, bateria, inglês e a praticar esportes. Cresceu acostumada a desenvolver múltiplas habilidades e realizar várias tarefas ao mesmo tempo – o que se torna muito melhor quando tudo é aliado à praticidade e às tecnologias modernas.

Os dois ainda não têm filhos e nem pensam nisso por enquanto. Mas os pais deles, com a idade que Henrique e Crisda têm hoje, já tinham colocado suas “crias” no mundo. Nesta reportagem, eles vão contar um pouquinho sobre o que pensam, como agem – e o motivo de serem verdadeiros “ipisilones”, com orgulho.

Não à hierarquia

Ano passado, 730 mil universitários e recém-formados se candidataram a 2.334 vagas de estágios e trainees de algumas das mais cobiçadas empresas, entre as quais Microsoft, Sadia, Nestlé e Unilever. Apesar da oferta generosa de cabeças vindas das melhores faculdades do país, 10% das vagas não foram preenchidas. Uma pesquisa recente promovida pela Cia. de Talentos com 31 mil estudantes do ensino superior detectou um conflito geracional: as empresas não estão entendendo os jovens formados na Geração Y.

A recíproca é verdadeira: os “ipisilones” também não entendem o que as empresas querem. “Há um modo diferente de encarar o mundo”, afirma a psicóloga Sofia Esteves, presidente da Cia. de Talentos. A Geração Y não reverencia hierarquias. Tem habilidade de sobra para executar tarefas simultâneas e velozes, mas carece de foco e aprofundamento. “É uma atitude reforçada pelo clima familiar, com a mudança da relação de autoridade de pais e filhos”, explica em um artigo o especialista em educação Gilberto Dimenstein. Para a consultora em carreira e diretora da Missel Capacitação Empresarial, Simoni Missel, os filhos de hoje estão seguros para correr riscos porque os pais trabalharam para isso e os cobriram com uma superproteção. Eles têm as facilidades sonhadas pelos pais.

Descartando as diferenças, há algo que une culturalmente os integrantes das gerações. Os Baby Boomers estão unidos de forma inigualável pela televisão. Esta geração foi a primeira que cresceu em frente aos programas televisivos. Eles puderam compartilhar eventos culturais e marcos com todas as pessoas no seu grupo de idade, independentemente de onde elas estavam. Todos eles assistiram a “Bonanza” ou a “Deixe isso para o Castor” e viram a Guerra do Vietnã nas salas de estar, conforme cresciam. Esses momentos compartilhados ajudaram a estabelecer um vínculo da geração sem precedentes. A partir de 2011, pode começar uma nova revolução. Por volta deste ano, os mais velhos dos Baby Boomers estarão se aposentando, deixando no lugar a Geração X, que surgiu logo depois.

“Somos jovens, dinâmicos, antenados, inquietos e muitas vezes impacientes”, define Guilherme Tossulino, um dos fundadores do blog “Minha Carreira” (www.minhacarreira.com), que publica artigos direcionados para o público Y. Com colaboradores do Brasil inteiro, Guilherme representa Santa Catarina no grupo, e é um exímio integrante da geração de quem tem menos de 30. “A ideia surgiu quando eu e o Diego Homem, que hoje mora em Dubai, estávamos conversando sobre projetos futuros, em janeiro de 2009. Sentimos a carência por informações a respeito da Geração Y escrita e visualizada por jovens”, diz. Aí, começaram a escrever sobre o tema e o conteúdo rendeu mais do que imaginavam.

Guilherme lembra que a Geração Y cresceu jogando videogame, ouvindo música e acessando a internet, portanto, tecnologia faz parte da vida desses jovens. Ele, que tem apenas 27 anos, sabe bem do que fala. “Somos os donos da maioria dos blogs e também povoamos a maioria das comunidades e redes sociais. Gostamos de mudanças e detestamos monotonia”, diz.

Na opinião dele, a Geração Y é carente por feedback, tem sede de conhecimento e deseja crescimento rápido na carreira. Para isso, busca empresas que possam oferecer oportunidades claras de ascensão e querem conhecer as regras do jogo antes de começarem a jogar. Com a competitividade por mão de obra qualificada, as empresas, em geral, tendem a adotar um discurso de empresas perfeitas, cheias de benefícios e possibilidades de crescimento profissional. Mas a Geração Y já está mais atenta e não espera muito para querer ver na prática o que é prometido e acordado.

“Quando o assunto é carreira, estamos sempre procurando conhecimentos técnicos e capacitação profissional. Trabalhamos melhor em equipes e procuramos empregos que ofereçam flexibilidade de horário, mobilidade e planos de carreira. Adoramos respostas às nossas questões, pois perguntamos muito. Queremos reconhecimento e promoções o quanto antes. Não temos medo de arriscar, e a busca por novos ares ocorre com mais frequência”, conta.

Tudo bem que a Geração Y é caracterizada por pontos muito positivos como dinamismo, vontade de crescer rapidamente, multidisciplinaridade e busca constante por conhecimento. Mesmo assim, os jovens precisam de reforço em questões como persistência para executar tarefas rotineiras e precisam apostar mais na paciência. Podem até quebrar regras com facilidade e falar mais do que ouvem.

Então, como aproveitar ao máximo esse potencial em criar e fazer acontecer? “Amadurecendo”, esclarece Guilherme. “Essa geração tem um grande potencial para inovar e fazer diferente, mas não devemos pensar que somos a última bolacha do pacote. A maturidade profissional ainda é escassa entre os jovens e eles precisam aprender a errar e a aceitar os desafios da vida, mesmo que venham com perdas e dificuldades.”

E a próxima geração? A tendência é chamá-la de Z, que serão os filhos da Geração X. Guilherme acredita que serão pessoas ainda mais ligadas à tecnologia. “Podem até ser mimados, pois serão pessoas com poucos irmãos e primos, pois cada vez mais os filhos são uma segunda opção. A Geração Y prioriza a carreira e os estudos e talvez falte tempo para os filhos. A mulher Y trabalha, estuda e quer ser independente financeiramente antes de ter o filho”, pensa.

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Fonte: Mauro Toralles
Autor: 
 Data: 11/12/2009

 

 


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